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  • VINICIUS VITAL

Vereador Gabriel Monteiro é acusado de assédio moral e sexual por servidores e ex-funcionários

Vítimas relataram ter vivido situações constrangedoras e desconfortáveis com o parlamentar

O ex-policial também foi acusado de manipular os vídeos que publica nas redes sociais Reprodução

O DIA


Rio - O vereador Gabriel Monteiro (sem partido) foi acusado de assédio sexual e moral por servidores, uma ex-funcionária e uma mulher com quem já teve relações sexuais. As denúncias se tornaram públicas após uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, que conversou com as cinco pessoas que teriam sido vítimas do ex-policial militar.

Em depoimento, uma mulher, que preferiu não revelar sua identidade, afirmou ter tido relações, a princípio consensuais, com Gabriel, mas que depois de um tempo, segundo ela, passaram a se tornar estupro, pois ele usava força, a deixando sem ter como sair da situação. "Teve um momento que ele usou força. Me segurou e foi com tudo. Me deixou sem saída. Eu pedindo para ele parar, ele não respeitou o momento em que eu pedi para ele parar. E ele rindo, 'é uma brincadeira. Não leva a sério, não. Não fica chateada". O assessor parlamentar Mateus Souza disse que o youtuber o obrigava a "ficar fazendo carinho nele", mesmo quando o funcionário pedia para parar. Heitor Monteiro, que também atua como assessor parlamentar, contou que o vereador pedia carinho constantemente e chegou a pedir para que fosse feito em suas partes íntimas. "Em todas as partes do corpo (...) Já chegou a pedir também (na genital)". A ex-assistente de produção de Gabriel, Luiza Batista, que realizava gravações para as redes sociais, expôs que ele a abraçava por trás, beijava seu rosto, dizia que a amava e andava nu próximo a ela. Ela ainda conta que após sete meses trabalhando com Monteiro, precisou procurar um psiquiatra por conta de tudo que estava passando com ele. De acordo com a assistente de produção, algumas das situações inconvenientes estão registradas em vídeo. "Dá pra ver que ele chegava a passar (a mão). Eu falava: Gabriel, não gosto de gravar esses vídeos, você sabe. E toda vez ele ficava descendo a mão. Cansou de passar a mão na minha bunda. E eu segurando a mão dele. Pedindo e pedindo. (...) Eu queria tirar minha própria vida, porque eu me sentia culpada".

O ex-policial também foi acusado de manipular os vídeos que publica nas redes sociaisReprodução Nas eleições de 2020, Gabriel Monteiro foi o terceiro vereados mais votado, contabilizando mais de mil votos. Nas redes sociais, o ex-policial é seguido por 23 milhões de pessoas que o fizeram ser uma das figuras mais populares da política.

Vereador vira alvo de acusações de adulteração em seus vídeos As denúncias também o acusam de manipulação dos vídeos de seu canal do Youtube, quando forjou cenas de tiroteios e "dirigia" o que seria gravado. Por conta de um outro vídeo, Gabriel também foi acusado de exploração de menores, após induzir uma criança a dizer que estava sem comer, em depoimento, para poder levá-la ao shopping lanchar. "Nós temos ali várias violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente e à Constituição Federal. Desrespeito aos direitos ao respeito, à imagem e à dignidade da criança", afirmou o conselheiro tutelar Ariel de Castro Alves. Em entrevista, o vereador Gabriel Monteiro negou todas as acusações de assédio ao Fantástico e afirmou ser mais uma tentativa de acabar com sua carreira. "Como eu trabalho na minha casa, eu tenho funcionários, servidores, alguns que não são da Câmara mas que trabalham para mim por fora, que tem relação familiar, praticamente, comigo. (...) Essa é mais uma tentativa de acabar com o Gabriel Monteiro". Sobre a criança que teria sido orientada a dar depoimento em troca de um lanche, Gabriel disse aquela foi "a maior vaquinha da vida dela". "A vida dessa criança pode não ter sido totalmente modificada, mas ela teve uma esperança, porque é muito fácil chegar aqui e jogar dez pedras contra mim e atingir o meu trabalho". Já nas redes sociais, o vereador publicou um vídeo ao lado da família da menina citada da acusação, onde a mãe afirma que ela e a criança não haviam comido no dia quando foram abordadas por Monteiro. Em nota, o Conselho de Ética e Decoro da Câmara dos Vereadores do Rio afirmou que tomou conhecimento dos fatos pela reportagem e que aguarda acesso ao material para se reunir, analisar o conteúdo das imagens e decidir que providências serão tomadas. O vereador Chico Alencar (Psol), integrante do Conselho de Ética, afirmou em publicação nas redes sociais que estão investigando o caso de uma possível grave quebra de decoro por parte do parlamentar.

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