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Rio tem15 dias de aumento na média móvel de mortes por Covid-19 e quase 700 à espera de UTI

NOTÍCIAS DA HORA

Felipe Grinberg

RIO — O Rio completou neste domingo 15 dias seguidos de aumento na média móvel de mortes da Covid-19. Segundo dados da secretaria estadual de Saúde, foram confirmados 58 novos óbitos e 1,3 mil casos da doença. Desde o início da pandemia, 37.687 pessoas perderam a vida para o coronavírus e ao menos 658,5 mil foram contaminadas.

A média móvel passa a ser de 2.567 casos e 225 mortes por dia. Em relação aos números de duas semanas atrás, houve um aumento de 86% na quantidade de óbitos, o que indica uma tendência de crescimento na intensidade do contágio por estar acima da marca mínima estipulada de 15%.

A fila por um leito de UTI apresentou uma pequena queda, mas continua em um patamar alto.Neste domingo, 682 pacientes aguardam por uma vaga de UTI na rede pública de saúde do Rio. Se somados com as pessoas que esperam um leito de enfermaria, o número chega a 917 pessoas. A ocupação dos leitos de UTI estão em 89,5%.

Apenas duas das nove regiões de saúde do estado estão com a taxa de ocupação de terapia intensiva abaixo de 80%: Baixada Litorânea e Médio Paraíba. A situação é mais crítica na região Centro-Sul, onde não há mais vagas de UTI disponíveis. Na Metropolitana I — que abrange a capital e a Baixada Fluminense — a taxa de ocupação está em 92%. Somente a cidade do Rio 94% das vagas já preenchidas

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Segundo a SES, a mediana para um paciente conseguir um leito de enfermaria ou UTI diminuiu nas últimas 24 horas. Para conseguir um leito de terapia intensiva é de 22 horas e 20 horas para enfermaria. O cálculo leva em consideração o tempo em que 50% dos pacientes consegue uma vaga em leito destinado para o tratamento de Covid-19. Em todo o estado, 81% das enfermarias para tratar pacientes com Coronavírus e 89% das UTIs estão cheias.

Rio tem cinco regiões com risco 'muito alto' para Covid-19

O estado do Rio tem cinco das nove regiões de saúde classificadas como "alto risco" para a disseminação da Covid-19. Segundo a análise dos técnicos da Secretaria estadual de Saúde (SES), o tempo para o esgotamento dos leitos de UTI da região Metropolitana 1 — formada pela capital e Baixada Fluminense — é de cinco dias. Essa foi a região com a maior pontuação de risco entre as áreas do estado. Em todo o Rio, a previsão dos técnicos é que os leitos de terapia intensiva podem se esgotar em seis dias. Os dados foram divulgados no fim da tarde desta sexta-feira, dia 2.

"Esta 24ª avaliação apresenta a pior situação de risco analisada até o momento", afirma a nota técnica.

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Também estão classificadas com risco "muito alto" as regiões Norte, Médio Paraíba, Centro Sul e Baixada Litorânea. Na avaliação divulgada no último dia 24 de março, as regiões do Médio Paraíba e Norte estavam com a classificação de risco "alto".

"Todas as 9 regiões do estado apresentam taxa de ocupação de leitos de UTI acima de 80%, apontando para uma situação crítica no atendimento aos casos graves. Em relação à taxa de ocupação de enfermaria, todas as regiões também apresentam esgotamento de leitos com taxas acima de 70%, inclusive com leitos improvisados, como na região Centro Sul", diz trecho da nota técnica.

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A avalição do corpor técnico da secretaria estadual de Saúde compara a semana epidemiológica 11 (de 14 a 20 de março) com a 09 (de 28 de fevereiro a 06 março) de 2021.

Recorde de atendimentos foi no fim do mês

Ao analisar a procura de pacientes nas UPAs da rede estadual do Rio, os técnicos apontaram que o dia 29 de março foi a data com maior atendimentos de Sindrome Gripal nas emergências, com 986 casos. Já na segunda quinzena do mês, foram em média 795 atendimentos, um aumento de 48% em relação aos 15 dias anteriores.

Com o ampliação na procura por atendimento na rede pública, também houve um crescimento nos pedidos de internação no Rio.

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"As solicitações por leitos apresentam maior variabilidade diária, mas que reflete uma tendência de aumento desde o início de março, em que o último dia registrado (31/03/2021) apresentou um aumento de 224%, comparado com o dia 01/03/2021. A partir do dia 15 de março, observamos uma maior velocidade no aumento do número de pessoas na fila de espera, que no último dia de avaliação apresentou um aumento de 609% de pessoas em fila de espera." dizem os técnicos.

Medidas de restrições sugeridas

De acordo com a classificação de risco, os técnicos apontam que medidas devem ser tomadas para tentar conter o avanço da pandemia. Os critérios e medidas de isolamento foram definidas já para o primeiro boletim, divulgado no início de julho de 2020. Em caso de "Risco muito alto", as medidas que devem ser tomadas são:

  • Suspensão de atividades econômicas não essenciais definidas pelo território, avaliando cada uma delas (Também para o "risco alto")

  • Definição de horários diferenciados nos setores econômicos para reduzir aglomeração nos sistemas de transporte público. (Também para o "risco alto")

  • Adoção de quarentena, como expõe a Portaria 356/2020 (a), conforme avaliação do gestor.

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