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Buscas por vítimas das chuvas seguem pelo 10º dia em Petrópolis; número de mortos passa dos 200

Até o momento há 209 mortos, entre eles, há 124 mulheres e 84 homens, e entre eles, 40 menores de idade

As ruas do Centro Histórico de Petrópolis foram as mais afetadas pelas fortes chuvas. Divulgação PMN - Foto: Douglas Macedo

Por O DIA


Rio - As buscas por desaparecidos em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, chegaram ao seu 10º dia nesta quinta-feira. A tragédia provocada pelas chuvas na última semana bateu a triste marca de 209 mortos e se tornou a maior da história da cidade. A Polícia Civil informou que, entre as vítimas fatais, há 124 mulheres e 84 homens, e entre eles, 40 menores de idade. Ao todo, 191 corpos foram identificados, e outros 181 liberados e entregues a funerária. Ainda há 48 desaparecidos.

As ruas do Centro Histórico de Petrópolis foram as mais afetadas pelas fortes chuvas.

O Instituto Médico Legal (IML) recebeu ainda partes de outros quatro corpos – nesse caso, não é possível identificar se são de homem ou de mulher. Por isso, será preciso fazer coleta de material genético de parentes.

Nesta quarta-feira, nove dias depois dos deslizamentos, um gato foi resgatado com vida pelos bombeiros. Bastante debilitado, mas se mexendo, o animal foi retirado da lama na Rua Sargento Boening, uma das áreas mais afetadas com as chuvas, e está em estado grave.

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Desde o início das buscas, a Coordenadoria de Bem-Estar Animal (Cobea) de Petrópolis resgatou mais de 200 animais que estavam em áreas afetadas pelos deslizamentos. Os animais estão sendo levados para lares temporários cadastrados pela prefeitura. Os feridos foram levados para clinicas que estão trabalhando de forma voluntária e tratando esses animais.


Histórias que emocionaram o país

Entre as tristes histórias que impactaram o país está a história de Giselli Carvalho e Gizelia de Oliveira Carminante, que perderam a filha de 1 ano e mãe; e a filha adolescentes de 17 anos, respectivamente. As vítimas estavam em casa, no Morro da Oficina, quando morreram abraçadas e soterradas pela lama que desceu da encosta.


Giselli, mãe da bebê Helena, contou que demorou nove anos para conseguir engravidar pois queria estar preparada para assumir a responsabilidade. A criança iria ganhar uma festa de aniversário esse ano e havia acabado de entrar na escolinha. Giselli estava no trabalho no momento da tragédia. Em casa, estava a sua mãe, Tânia Leite Carvalho, de 55 anos, responsável por cuidar da criança durante o dia, e a sobrinha Maria Eduarda Carminate Carvalho, de 17 anos.

A história da avó e neta, também localizadas no Morro da Oficina, repercutiu. Os corpos de Celi Miranda Maria, de 86 anos, e Maria Eduarda Miranda Sant’Anna Alves, de 17 anos, foram encontrados pelo Corpo de Bombeiros no fim da tarde desta terça-feira (22). Elas foram soterradas pelo grande volume de lama e entulho que desceu do alto do morro.

A madrasta de Maria Eduarda disse que a jovem sabia que precisava subir para o segundo andar para tentar se salvar, mas se recusou a sair do lado da idosa, que é acamada e não poderia subir as escadas da casa. O pai da menina passou a tarde desta terça-feira acompanhando as buscas.


Reconstrução da cidade e suporte às vítimas da tragédia

O Ministério do Desenvolvimento Regional autorizou, na noite desta terça-feira, a liberação de até R$ 70 milhões para dar início à primeira fase do plano de reconstrução de Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Em Brasília, o governador do Rio, Cláudio Castro, apresentou ao Rogério Marinho o andamento dos estudos e projetos básicos para intervenções estruturais e de construção de unidades habitacionais para as vítimas das fortes chuvas que atingiram a cidade.

Diante da necessidade de remoção de moradias em áreas de risco e do número de desabrigados, o Ministério do Desenvolvimento Regional definiu que não haverá limitação de recursos. Com base no número de pedidos de Aluguel Social, estima-se que serão necessárias mais de 1 mil unidades habitacionais. "A prefeitura e o governo do estado vão buscar os terrenos, mas não há restrição de orçamento ou limite do número de unidades", garantiu o ministro.

Atualmente a cidade contabiliza 867 desabrigados. Eles foram acolhidos em 13 escolas públicas que se encontram sob a responsabilidade da secretaria municipal de assistência social. Na segunda-feira (21), o prefeito Rubens Bomtempo anunciou ter fechado um acordo com o governador fluminense Cláudio Castro para elevação do valor do aluguel social. Ficou decidido que o auxílio será de R$ 1 mil por família, sendo R$ 800 pagos pelo estado e R$ 200 pelo município. Pessoas que estão alojadas nas escolas serão automaticamente cadastradas como beneficiários do aluguel social. O aluguel social é um benefício cujo objetivo é permitir que as famílias possam alugar quartos ou casas temporariamente. A prefeitura também cadastrará os desabrigados no programa do Cartão Imperial. "Esse benefício, no valor de R$ 70, é pago mensalmente a mais de quatro mil famílias e tem como objetivo o complemento de renda para a compra de alimentos", informa o município.

Maior tragédia da cidade de Petrópolis O temporal que desabou em Petrópolis foi apontado pelo governo do Rio de Janeiro como a pior chuva na cidade desde 1932. Segundo o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, choveu 258,6 milímetros em apenas 3 horas. Os números já fazem da tragédia a maior da história da cidade. Uma outra catástrofe ocorrida devido às chuvas deixou 171 mortos em 1988. Já em 2011, 73 moradores de Petrópolis perderam a vida em meio a temporais que caíram sobre a região serrana, atingindo mais fortemente as cidades de Teresópolis e Nova Friburgo.

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