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Brasil não terá cobrança extra na conta de luz até o fim do ano, avalia diretor do ONS - SUPER TOP

Desde o ano passado, o governo criou a bandeira de escassez hídrica, que representa um impacto de R$ 14,20 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, em razão da maior crise hídrica

Linhas de transmissão de energia elétrica Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O diretor-presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, afirmou que a expectativa até o fim deste ano é que o Brasil não tenha cobrança extra na conta de luz, com permanência na bandeira tarifária verde.

Desde o ano passado, o governo criou a bandeira de escassez hídrica, que representa um impacto de R$ 14,20 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, em razão da maior crise hídrica no país em 90 anos. A taxa extra foi criada pelo governo para cobrir os custos da geração de energia por termelétricas, conhecidas por serem mais caras. Na crise hídrica do ano passado, quase todo o parque térmico do Brasil foi acionado.


A bandeira ficaria vigente até o final deste mês, no entanto o governo decidiu antecipar o fim para o próximo sábado, dia 16, pois o reservatório da usina de Furnas terminou março acima de 80% do volume útil, além de já ter sido retomada a operação da hidrovia Tietê-Paraná.


O diretor-presidente afirma que a expectativa é positiva porque os reservatórios das hidrelétricas chegaram ao período seco com um nível de armazenamento de água que não se via desde 2012. De acordo com o ONS, os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o maior do país, começam o período seco, em abril, com 63% de armazenamento de água, contra 35% no ano anterior. Em 2021, o subsistema chegou em abril 76% cheios. Segundo ele, por este motivo, a alta do preço dos combustíveis fósseis, puxada pela guerra entre a Rússia e Ucrânia, não deverá afetar tanto o setor como afetaria no ano passado, quando todas as usinas termoelétricas do País foram acionadas, inclusive as mais caras. "Vamos ter despacho térmico bastante reduzido este ano e a sinalização dos agentes que não terá esse problema de abastecimento, podemos ficar tranquilos. Se esse conflito tivesse acontecido no ano passado, aí teríamos situação bastante complicada", afirmou Ciocchi. Para 2023, o executivo observou que, apesar de não ter bola de cristal e o setor depender de chuvas, que não são previsíveis no longo prazo, a expectativa é que seja um ano ainda melhor do que este do ponto de vista do abastecimento energético. "Tem muita geração nova entrando, muita linha de transmissão entrando, então em 2023 estaremos melhor do que neste ano. Se mantido os reservatórios nesses níveis, teremos 2023 ainda melhor que este ano, mas sujeito a chuvas e trovoadas", brincou Ciocchi mostrou otimismo e avaliou que neste ano o Brasil não terá problemas de escassez hídrica como no ano passado, devido a um período úmido mais favorável do que em 2021. "Estamos com reservatórios em boa condição e só vamos ter despachos térmicos na ordem de mérito, alguma coisa vamos precisar em setembro ou outubro, mas na ordem de mérito, a expectativa é passar todo esse ano com bandeira verde", disse Ciocchi. O subsistema Sul ainda preocupa, segundo Ciocchi, mas as chuvas de abril estão se mostrando acima das expectativas, o que deve melhorar também o nível de armazenagem de água naquela região.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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